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Ecopista do Dão - 15 anos depois !

 Inaugurada em 2011, tinha-a percorrido em Agosto desse mesmo ano.

Lamentavelmente, nunca mais lá tinha voltado !


   Desta vez, já com a família que entretanto cresceu e um grupo de bons amigos, regressei à cidade que me viu nascer, Viseu, para de novo percorrer em ambos os sentidos esta antiga linha de caminhos de ferro do norte do país. 

   E há novidades interessantes !   


Ecopista do Dão, junto ao rio que lhe dá o nome.
Ecopista do Dão, junto ao rio que lhe dá o nome.

Não é informação que seja nova, mas estes 49 km de ecopista compõem uma das infraestruturas que mais se aproximam em Portugal de se parecer com um produto turístico de qualidade para atracção de visitantes em bicicleta no nosso país, gerando uma cada vez maior mais-valia económica para a hotelaria e restauração locais.

Do pavimento e da envolvente cénica aos pontos de apoio como cafés e restaurantes, este passeio é cada vez mais uma referência no país para a promoção do turismo activo e de natureza, em particular para a designada região de Dão-Lafões.


   Claro que seria bem melhor ter os carris e o comboio - principalmente numa altura em que por toda a Europa se aposta na ferrovia e o preço dos combustíveis não pára de aumentar - mas, à falta destes, aproveitar este antigo corredor ferroviário que ligava Viseu à Linha da Beira Alta convertendo-o para actividades de mobilidade suave e turismo foi uma excelente aposta dos 3 municípios que atravessa: Santa Comba-Dão, Tondela e Viseu.

Ecopista do Dão, próximo das "Marmitas do Gigante da Nagosela".
Ecopista do Dão, próximo das "Marmitas do Gigante da Nagosela".

Para miúdos e graúdos


   Por estarmos no início de Maio, os tons de verde por aqui são ainda bem vivos. Dos pastos às vinhas, passando por alguns carvalhais e platanais, tudo é verde. Até os pinheiros mostram as novas carumas, de um verde vivo de grande intensidade. Abundam também os tons de branco e amarelo, das flores das giestas que brotam com as temperaturas amenas da Primavera.

Avistam-se, claro, eucaliptais em regime de monocultura intensiva e extensiva.


Todos têm de abrandar na aproximação aos cruzamentos"

Mas o que de melhor observei, comparativamente há 15 anos atrás quando percorri os seus 49 km acabadinhos de inaugurar, foram substanciais melhorias em dois dos grandes aspectos a ter SEMPRE em consideração na concepção e projecto de um corredor ciclopedonal para fins de mobilidade, lazer e turismo:


1) Na maioria dos cruzamentos da ecopista com outras estradas, incluindo com a N2, há medidas de acalmia de tráfego tanto para os automobilistas como para os ciclistas.

Passadeiras sobre-elevadas nas estradas garantem que nos cruzamentos com a ecopista há redução de velocidade para quem vem de carro e, para os ciclistas, há barreiras para contornar em ziguezague (ainda que sejam de reduzida visibilidade, aspecto este a melhorar no futuro) que obrigam também a uma redução de velocidade e maior atenção na aproximação a um cruzamento. Gostei portanto da filosofia do "todos têm de abrandar na aproximação aos cruzamentos" seja qual for o tipo de veículo que estejam a utilizar, o automóvel ou a bicicleta !

Assim, este é um passeio excelente para trazer os miúdos ou até mesmo aquele graúdo mais sedentário, uma vez que (praticamente) não há subidas nem descidas com mais de 2.5% de inclinação.


2) Há cada vez mais cafés, restaurantes e até alojamentos locais ao longo da ecopista. Destaco o Ninho d'Arara, junto à antiga estação de comboios de Tondela e o novo restaurante gastronómico Barba Azeda, na antiga estação de Parada de Gonta. Há ainda cafés nas antigas estações de Farminhão e Mosteirô.

Para quem quiser, pode também sair da ecopista e entrar numa qualquer aldeia, das quais destaco Canas de Santa Maria, a qual, mesmo colada à ecopista, tem o café/restaurante São Pedro, que serve pratos quentes bem como bifanas e frango no churrasco, a preço económico.


Ecopista do Dão, próximo de Tondela.
Ecopista do Dão, próximo de Tondela.

Notam-se também algumas melhorias no início da ecopista junto à estação de comboios de Santa Comba-Dão, que agora inclui passadiços metálicos, embora mantenha um curto sobe-e-desce em terra antes de se chegar à ecopista propriamente dita.

Mantém-se ainda alguma "confusão" no traçado da ecopista junto à malha urbana na entrada de Viseu, mas nada que ofusque todo o projecto.


Campanha de crowdfunding a decorrer até 12.Jun.2026

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A melhorar é, definitivamente, a promoção online desta ecopista, sugerindo que se evite vender "gato por lebre" e focando sempre no que de verdadeiramente se tem.

Exemplo disso é a página oficial de uma suposta ecopista com 115 km, de Santa Comba-Dão a Sernada do Vouga.

O que existe são na realidade duas ecopistas, a do Dão e a do Vouga, que para além de serem bem distintas uma da outra, tanto na sua antiga história ferroviária como em pavimento e continuidade, oferecem condições e envolventes cénicas bem diferentes. Além disso, promovê-las como DUAS ecopistas (ainda que interligadas em Viseu) parece-me muito mais enriquecedor e capaz de atrair mais visitantes.

Há alguns anos publiquei um artigo sobre a Ecopista do Vouga, passeio que recomendo também vivamente.


Acrescem, na tal página oficial, expressões como "viagem mágica" ou "a natureza na sua forma mais pura" que mostram uma tentativa de fazer esquecer a "eucaliptização" da envolvente cénica que se avista ao longo todo o percurso.


Antiga ponte ferroviária sobre o Rio Dão.
Antiga ponte ferroviária sobre o Rio Dão.

Termino referindo que é fundamental, para que estes produtos atraiam visitantes, uma promoção do tipo What You See Is What You Get, por forma a que quem percorre estas ecopistas não veja goradas as suas expectativas e que, para além de voltar, recomende as mesmas a outras pessoas.

Isto inclui estrangeiros, claro, pelo que para tal é fundamental uma página também em inglês e até mesmo outras línguas como alemão, francês e espanhol.

Deixo aqui, como sugestão de leitura, alguns exemplos ainda que a escalas bem diferentes, de outros produtos turísticos bem promovidos:


Uma nota: ficámos 2 noites na muito agradável Pousada da Juventude de Viseu, que tem também quartos individuais com wc privado, onde pedimos para colocar uma cama extra.

Tem sala comum e uma cozinha de fazer inveja a muitos. Fica mesmo à entrada do verdejante Parque do Fontelo, excelente para passear com as crianças. Recomendo !


Boas pedaladas. P. Guerra dos Santos


Rede Nacional de Cicloturismo

EDIÇÃO 2026


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